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18 de Setembro de 2026

7 fatos sobre os sinais de fome do bebê que vão além do choro

Foto: Magnific

O choro é frequentemente interpretado como o principal sinal de que o bebê está com fome. No entanto, de acordo com especialistas, antes do choro, os pequenos costumam apresentar sinais mais sutis.

Graziela Abdalla, gerente assistencial do Hospital Maternidade Paulino Werneck, unidade da Secretaria Municipal da Saúde do Rio de Janeiro e gerenciada pelo CEJAM, reforça que reconhecer esses comportamentos faz parte da chamada alimentação responsiva, abordagem que orienta pais e cuidadores a observar e atender aos sinais de fome e saciedade, respeitando as necessidades em cada caso.

“Cuidar da amamentação do bebê também significa aprender a escutar o que ele comunica com o corpo. Essa atenção fortalece a confiança entre a pessoa que amamenta e a criança e contribui para que o momento seja vivenciado com mais segurança, acolhimento e respeito ao desenvolvimento infantil”, afirma Graziela.

1. O choro é um sinal tardio de fome

Antes de chorar, o recém-nascido pode começar a se mexer, acordar, abrir a boca, esticar o corpo, virar a cabeça em busca do peito, levar as mãos à boca, lamber os lábios ou emitir sons. Essas expressões indicam que a criança está se preparando para se alimentar.

Quando o bebê já está chorando intensamente, é necessário acalmá-lo antes de oferecer o peito. A irritação tende a dificultar a organização da sucção e fazer com que ele tenha mais dificuldade para se alimentar.

“É importante que os pais e cuidadores aprendam a observar antes que ele chore. Quando a fome é identificada nos primeiros sinais, a criança ainda está mais calma e disponível para se alimentar. Isso favorece a pega, a sucção e torna o momento do aleitamento mais tranquilo”, explica Graziela.

2. Nem todo choro significa fome

O choro é uma das principais formas de comunicação, especialmente nos primeiros meses de vida. Por isso, está relacionado a diferentes aspectos, como sono, fralda suja, calor, frio, cólica, refluxo, dor e excesso de estímulos.

“O cuidador deve se atentar ao conjunto de sinais e verificar se o bebê precisa ser trocado, se está cansado ou se busca aconchego. Isso não significa deixar de oferecer alimento quando houver dúvida, mas entender se ele pode estar comunicando outras questões”, pontua.

Esse olhar também ajuda a evitar a interpretação equivocada de que o choro após uma mamada significa que o leite não foi suficiente.

3. Não é preciso seguir horários rígidos para se alimentar

De acordo com o Ministério da Saúde, não há um horário fixo para amamentação. A orientação é oferecer o alimento em livre demanda, sempre que a criança demonstrar interesse e pelo tempo que desejar.

Cada bebê apresenta um ritmo próprio. Alguns fazem mamadas mais longas, enquanto outros mamam por períodos mais curtos e frequentes. A duração e o intervalo entre as mamadas também variam ao longo do dia e conforme a idade.

“Mais importante do que controlar o relógio é observar o bebê. O intervalo entre as mamadas não deve ser analisado isoladamente. É preciso considerar se ele está crescendo, urinando adequadamente, apresentando disposição e realizando uma sucção eficiente”, enfatiza Graziela.

4. O bebê também demonstra quando está satisfeito

Assim como apresenta sinais de fome, o pequeno também expressa quando já está satisfeito. Durante a amamentação, pode diminuir o ritmo da sucção, fazer pausas, soltar espontaneamente o peito, relaxar as mãos, fechar a boca ou virar o rosto.

“Os sinais de saciedade precisam ser respeitados tanto quanto os sinais de fome. Não é necessário insistir para que o lactente esvazie a mama ou aceite uma quantidade predeterminada”, destaca a especialista.

5. A introdução alimentar também deve respeitar os sinais apresentados

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que o leite humano seja o único alimento até os seis meses, sem oferta de água, chás, sucos ou outros alimentos. Depois desse período, começa a alimentação complementar, mantendo-se o aleitamento humano até os dois anos ou mais.

No início, o bebê pode demonstrar fome ao abrir a boca quando o alimento é oferecido, tentar alcançar a comida, apontar para ela, ficar mais animado ao vê-la ou emitir sons para indicar que ainda deseja comer.

Já os sinais de saciedade incluem fechar a boca, virar o rosto, empurrar a colher ou o prato e perder o interesse pelo alimento.

“A introdução alimentar não deve ser uma disputa. O adulto é responsável por oferecer alimentos seguros, adequados e variados, mas a criança precisa ter espaço para demonstrar o quanto deseja comer. Forçar, distrair ou pressionar pode transformar a refeição em uma experiência negativa”, explica Graziela.

6. A quantidade de refeições aumenta conforme o crescimento

Segundo a OMS, entre seis e oito meses, os alimentos complementares podem ser oferecidos de duas a três vezes ao dia. Entre nove e 23 meses, a frequência aumenta para três a quatro refeições diárias, com a possibilidade de lanches nutritivos adicionais a partir dos 12 meses, conforme a necessidade.

A consistência e a variedade dos alimentos também devem evoluir gradualmente. A partir dos oito meses, muitas crianças já conseguem manipular alguns alimentos com as mãos. Por volta de um ano, a maioria passa a consumir os mesmos tipos de alimentos da família, desde que preparados de forma adequada e segura.

A recomendação é que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados e que não sejam oferecidos açúcar e produtos ultraprocessados a menores de dois anos.

7. Os sinais também são importantes para acompanhar a saúde

A avaliação do crescimento, do desenvolvimento, da hidratação e da capacidade de sucção também deve ser feita nas consultas de puericultura.

“Além de observar os comportamentos, a família deve acompanhar indicadores como ganho de peso, crescimento, número de fraldas molhadas e disposição. Dificuldades persistentes para sugar ou engolir, recusa frequente do peito, sonolência excessiva, vômitos recorrentes ou ausência de ganho de peso precisam ser informados ao pediatra ou à equipe de saúde”, conclui Graziela Abdalla.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

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