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Saúde

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02 de Outubro de 2026

Estigma ainda afasta população LGBTQIAPN+ de serviços de saúde e compromete cuidados preventivos

O receio de sofrer preconceito, o desrespeito à identidade de gênero e a presunção de heterossexualidade nos consultórios continuam sendo barreiras críticas para a população LGBTQIAPN+ nos serviços de saúde. Uma pesquisa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) aponta que 62% das pessoas trans já evitaram buscar atendimento médico por medo de discriminação, enquanto 94% relatam já ter sofrido algum tipo de violência ou constrangimento no ambiente de saúde.


A barreira também atinge a saúde da mulher cis: levantamentos apoiados pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde indicam que 73% das mulheres lésbicas e bissexuais relatam constrangimento ao revelar sua orientação sexual em consultas ginecológicas, o que resulta no atraso de exames preventivos essenciais, como o Papanicolau e o rastreamento do câncer de mama.


Já entre os homens gays e bissexuais, o Relatório do Índice de Estigma (desenvolvido pelo UNAIDS, OPAS e Ministério da Saúde) revela que a vivência ou o medo do preconceito faz com que essa população tenha 2,4 vezes mais chances de adiar consultas de rotina em comparação a quem não sofre essa discriminação, comprometendo o acesso à Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), à saúde mental e à prevenção urológica.


Para a Dra. Cecille Gribel, médica ginecologista e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero (SBMT) que atua no Hospital Municipal Evandro Freire, do Rio de Janeiro, com foco no atendimento humanizado à população LGBTQIAPN+, o acolhimento qualificado na rede pública é a ferramenta central para reverter essas estatísticas e garantir assistência digna a toda a comunidade.


“A medicina não pode ser pautada por julgamentos morais ou por abordagens reducionistas. Quando a identidade e orientação sexual de uma pessoa é desrespeitada, todo o ecossistema da saúde pública falha. O acolhimento humanizado a toda a população LGBTQIAPN+ visa enxergar o indivíduo em sua totalidade, combinando rigor técnico, respeito e escuta ética”, pontua a especialista.


Na rotina de urgência, emergência e internação do Hospital Municipal Evandro Freire, essa diretriz se traduz em um fluxo assistencial estruturado desde a recepção. O respeito à diversidade de gênero e orientação sexual começa no acolhimento inicial, com o registro obrigatório do nome social nas fichas de triagem, no prontuário eletrônico e na pulseira de identificação, evitando constrangimentos em salas de espera ou chamadas para exames.


A consolidação desse ambiente seguro passa pela capacitação contínua de toda a equipe multidisciplinar – incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e profissionais da recepção –, focada no uso de linguagem inclusiva, sigilo e atenção às especificidades clínicas de corpos trans e da população LGBTQIAPN+.


Além de atender a queixa imediata da urgência, o hospital atua de forma articulada com a rede municipal para garantir a continuidade do cuidado, conectando os pacientes a serviços de ginecologia inclusiva, saúde mental, endocrinologia voltada à hormonização segura e programas de Prevenção Combinada ao HIV, tudo respaldado pelo monitoramento constante da Comissão de Humanização e da Ouvidoria da unidade.


“O ambiente hospitalar precisa transmitir segurança a qualquer pessoa da comunidade LGBTQIAPN+ desde o momento em que ela cruza a porta de entrada. Fluxos assistenciais claros e o preparo técnico da equipe são o que diferencia o abandono do acompanhamento da construção de uma relação duradoura e de confiança com o SUS”, conclui a Dra. Cecille Gribel.

Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento

Saúde LGBTQIAPN+

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