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05 de Janeiro de 2026
Nos primeiros dias com o recém-nascido no colo, muitas mães vivem um misto de alegria, insegurança e dúvidas. Afinal, se ainda não existe uma linguagem verbal estabelecida, como entender o que o bebê realmente precisa?
Para além do choro, que costuma ser interpretado como a primeira forma de comunicação, os pequenos dão diversos sinais sutis que revelam fome, cansaço, desconforto ou a necessidade de aconchego. Reconhecer esses indícios é um passo importante para fortalecer o vínculo e dar mais confiança às mães de primeira viagem.
Para ajudar nesse caminho, Graziela Abdalla, gerente assistencial do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, compartilha dicas práticas e comportamentos que facilitam o dia a dia das famílias.
Antes de chorar: os primeiros sinais de fome que quase passam despercebidos
Segundo ela, é importante observar o bebê ainda em estado de tranquilidade. “A fome raramente começa com o choro. Antes disso, o bebê dá sinais claros: movimenta a cabeça de um lado para o outro, leva as mãos à boca, estica a língua, suga os lábios ou faz pequenos sons de sucção”, explica.
Esses gestos, conhecidos como “sinais precoces de fome”, ajudam a iniciar a amamentação de forma mais tranquila, sem que o bebê esteja agitado, o que facilita a pega e reduz a ansiedade da mãe.
“Ao reconhecer esses indícios logo no início, o momento da amamentação tende a ser mais confortável e eficiente”, completa a especialista.
Nem sempre é fome: como interpretar outras necessidades do recém-nascido
Além da busca natural por alimento, o bebê usa o corpo para comunicar diferentes necessidades. Alguns exemplos:
Sono: movimentos lentos, bocejos, olhar perdido e o clássico “esfregar dos olhos”.
Desconforto: corpo arqueado, expressão de irritação ou pernas encolhidas podem indicar cólica, calor, frio ou fralda molhada.
Estímulo excessivo: virar o rosto para o lado oposto, abrir os dedos ou ficar mais rígido podem ser sinais de que o bebê precisa de uma pausa do ambiente.
Necessidade de aconchego: movimentos agitados, busca pelo colo ou inquietação quando colocado no berço mostram que ele precisa de presença e contato.
“É importante lembrar que o bebê não manipula: ele apenas comunica. Quanto mais atentos estamos aos pequenos sinais, mais conseguimos antecipar suas necessidades e criar um ambiente seguro, amoroso e previsível”, reforça.
O poder do toque e do acolhimento: estratégias para o dia a dia
Além da observação atenta, algumas práticas simples ajudam a criar uma rotina mais tranquila para o recém-nascido. O contato pele a pele, por exemplo, favorece a regulação da temperatura e da frequência cardíaca, ao mesmo tempo em que transmite segurança.
A voz calma e constante da mãe, por sua vez, funciona como um importante recurso de conexão, reforçando a sensação de acolhimento. A especialista acrescenta que também é importante manter o ambiente com pouca luz, ruídos amenos e movimentos suaves, o que contribui para um clima de conforto. Já a adoção de ritmos previsíveis, como organizar banho, troca e alimentação em sequência, ajuda o bebê a compreender a rotina e favorece seu bem-estar geral.
“O segredo não está em acertar sempre, mas em construir uma relação contínua de troca. A maternidade é um aprendizado diário, e cada bebê tem seu próprio jeito de se comunicar”, afirma.
Dicas especiais para mães de primeira viagem
Segundo Graziela, mães de primeira viagem podem se sentir mais seguras quando entendem que a relação com o bebê se constrói no dia a dia. Ela ressalta que observar a criança por alguns segundos antes de agir é um bom ponto de partida, pois permite identificar padrões e entender como cada necessidade costuma se manifestar.
Além disso, a mãe pode anotar os sinais recorrentes do seu bebê, o que ajuda a organizar rotinas e reconhecer preferências que, muitas vezes, passam despercebidas na correria dos primeiros dias. Vale destacar que confiar no próprio instinto é fundamental, já que elas, naturalmente, desenvolvem sensibilidade para interpretar o comportamento dos filhos.
A profissional reforça, ainda, que praticar o autocuidado e pedir ajuda quando necessário faz parte da experiência e fortalece a rede de apoio, elemento essencial nesse período.
“Uma mãe descansada consegue perceber os sinais do bebê com mais clareza e responder a eles com maior tranquilidade”, salienta.
Uma maternidade mais leve e conectada
Compreender a linguagem dos pequenos não exige fórmulas rígidas, apenas presença, paciência e observação. O principal é entender que cada interação fortalece o vínculo. “Quando a mãe começa a reconhecer esses sinais, ela ganha confiança, o bebê se sente atendido e ambos constroem uma relação muito mais harmoniosa”, finaliza.
Fonte: Comunicação, Marketing e Relacionamento
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